Da série: poderia estar em um manual de equipe
Autoria: Ézia Cunha Mullins1
Revisado e publicado em 21 de Janeiro de 2026, por:
Roger Leandro Zanelatto Lüdcke2/Lúdikos3
“Gostaria de participar da sua próxima temporada de acampamentos”, disse ele, com um olhar indagador. “Mas é claro que você pode vir”, repliquei, entusiasmado. “Você é sempre bem-vindo. Aliás, eu nem pensaria em realizar uma temporada de acampamentos sem você. Preciso da sua ajuda desde o planejamento até o último detalhe. Quero você na direção executiva, na direção do programa, na condução das atividades, enfim, em todos os departamentos. Você é indispensável!”
“Sério?”, perguntou ele, meio surpreso. “É que você não tem me consultado muito ultimamente.” Fiquei meio sem jeito.
“Sabe o que é? Com a correria dos preparativos, a contratação e a escolha da equipe, a promoção do evento, as compras… Você entende, não é mesmo? A gente acaba deixando de prestar atenção aos amigos e de pedir a colaboração deles. Mas, puxa vida! Não se prenda por isso. Como eu disse, sem você não dá!”

“É que desta vez eu gostaria de ser acampante,” falou ele ainda me fixando os olhos. “Acampante? Como assim?” perguntei sem entender.
“É. Acampante. Quero ter a chance de chegar mais perto deles, estar com eles, conviver, ser amigo, brincar, conversar, compartilhar e experimentar tudo bem pertinho deles. Nesses últimos tempos, tenho ficado de lado. A liderança e os conselheiros andam num ativismo tão grande e só me procuram nas horas de aperto. Não tenho sido apresentado aos acampantes nem acompanhando-os como gostaria.” Fiquei calado, com o rosto vermelho e cabisbaixo. O que eu poderia dizer? Ele tinha toda a razão.
No início da temporada, eu não sabia em que quarto colocá-lo. Ele me assegurou que não tinha importância. Ele encontraria o lugar certo. Logo na primeira refeição, os acampantes chegaram eufóricos. Diziam uns para os outros: “Sabe quem está no meu quarto? JESUS!” diziam animados. “No meu também”, retrucavam outros. Em pouco tempo, o refeitório se encheu de expressões de contentamento. Jesus estava presente com força total, e aquela temporada seria um verdadeiro sucesso!
- Ézia Cunha Mullins: Junto com o esposo, Alan, foram diretores de vários acampamentos no Brasil e, por anos, serviram como equipe permanente da Associação Brasileira de Retiros e Acampamentos Cristãos (ABRAC). Para nós, Roger e Denise sempre foram e continuam sendo um exemplo a ser seguido. São aquelas pessoas que você quer ser quando crescer. Ézia é tradutora juramentada pelo estado de Goiás. ↩︎
- Roger Leandro Zanelatto Lüdcke: Bacharel em Teologia, com complementação de estudos em Gestão de Equipe, Pós-graduado em Pedagogia Empresarial e Educação Corporativa. É Coordenador dos Serviços de Educação Informal para a América Latina do TeachBeyond. Professor de Liderança e Ministério em Escolas pela Faculdade Luterana de Teologia e Gestor da Lúdikos, trabalhando com aprendizagens vivenciais e acampamentos desde 1996. ↩︎
- Lúdikos ↩︎